Coreia











Devia este post aos meus leitores, a mim e à Coreia...
Têm sido dias rápidos, o tempo passa a correr ou talvez não, mas com a cabeça noutros lados, no passado e no futuro, ficou difícil descrever o que tinha sido vivido, parecia quase um absurdo tentar descrever o que à partida só pode ser vivido, um país, um povo, uma cidade ou até uma rua só pode ser sentida, por mais extensiva e melhor que seja a descrição é sempre tão redutora, condiciona o pensamento, enquanto in locu cada um vê, ouve, sente, vive de forma única. Ainda assim aqui ficam algumas impressões, ideias, o meu ponto de vista quase impressionista da Coreia.
Primeiro, tenho de dizer que o motivo para esta viagem era uma digressão do Sond'Ar-te minuciosamente preparada ao longo de meses e que a vontade de ir não era muita, estava triste, de luto talvez, e não me apetecia nada ou quase nada, mas trabalho é trabalho e lá fui preparada para sorrir e acenar, e como previa um amigo, acabou por ser muito divertido, interessante e "correu muito bem".
Os concertos correram muito bem, foi um sucesso, e isso deve-se a uma série de pessoas que tornaram esta tour possível e às quais agredecemos!
Isto leva-me à Coreia, aos coreanos, a simpatia, a hospitalidade é um traço asiático comum, ou pelo menos tem sido essa a minha experiência, isto apesar da grande barreira, barreira quase intransponível que é a língua. Parece impossível mas num país que tem relações estreitas com os EUA há decadas, um país que à primeira vista parece tão americanizado, com todos os gadjets, tecnologias, fastfoods, marcas que reinam na Coreia, quase ninguém fala inglês, e quando digo quase ninguém é mesmo quase, quase ninguém, o simples acto de fazer um pedido num Starbucks é uma verdadeira aventura. Por outro lado é essa a primeira evidência de que apesar de aparentemente americanizada, a Coreia em nada é semelhante ao Ocidente, ou será talvez mas não nas coisas óbvias. Este país em muito semelhante ao Japão, mas mais suave, em que metade da população vive na capital, em que a tecnologia impera, há wifi em todo o lado, todas as ruas, iphones, ipads, samsungs, televisões no metro, metros de alta tecnologia que nunca se atrasam, elevadores, escadas rolantes, acessos a deficientes, é ao mesmo tempo único, nota-se na forma de as pessoas andarem, comunicarem que são muito mais dados, abertos que os japoneses e um pouco menos formais, dizem eles ser os latinos da ásia, mas ainda assim muito formais, rígidos, organizados.
Ali tudo é diferente, a forma das pessoas andarem com as perninhas para dentro, as pernas arqueadas (arquivadas para a Sara) e curtas, a combinação das roupas, a maquilhagem, óculos sem lentes por moda, o comércio em cada degrau do metro, hortas no metro, a adoração à natureza (traço comum com o Japão), o trânsito, as ruas cheias de anúncios, caractéres, cabos electricos, a música tipo MTV fora das lojas, o cheiro, os restaurantes ambulantes que nascem nos passeios a partir de certa hora, as refeições de 12 pratos em que tudo são entradas até ao último prato: o arroz, as bebidas estranhas, os arranha-céus, as luzes, tudo isto em plena convivência algo desigual, injusta, absurda e no entanto natural com os templos, os palácios reconstruídos depois da guerra, as lojas tradicionais de pincéis, chá, artigos budistas, máscaras de teatro tradicional, os monges sempre de cinzento, as lojas de roupa tradicional tão lindas e tão caras...
Há que dizer que viajar com o aquele grupo implica uma grande dose de disparate nas horas vagas, muita diversão, e piadas da semana, desta feita, foi a a vez da piada "ou não", "correu muito bem", gritar "trau" no topo de um arranha-céus, rir das reacções à comida que apesar de boa depressa se torna difícil para nós, é demasiado estranha, o estômago fica aflito, demora a acomodar-se e pede algum conforto, do ar de sono de cada um, levou-se tudo com tranquilidade ou não... Até mesmo, a longa viagem para Pohang de carro, há que dizer que os autocarros que nos transportaram eram tão enfeitados e cheios de berloques que se tornaram dignos de nota, depois de o nosso avião ter sido cancelado. Os copos depois dos concertos, bebidas estranhas, uma parecia mesmo batido de arroz azedo, passeios, cumplicidades.
Não é fácil descrever uma viagem tantos dias depois, por isso mesmo tenho a impressão que este post está tão confuso e concreto, enublado e claro como um sonho, uma impressão num dia de nevoeiro, mas quero sublinhar que a viagem foi um sucesso em todos os sentidos, que a Coreia é um país a visitar, a conhecer, a viver, não para viver como nas fotografias, mas para sentir, cheirar por vezes mal, ver. O campo é lindíssimo e vimos pouco, Seoul está cheio de árvores, lindas àrvores amarelas do Outono... Valeu a pena!
NOTA: nota-se nas ruas da Coreia que o dinheiro corre ali como rios, que o poder de compra é grande mas também o de trabalho, e também se nota a constante ameaça da possível guerra com o Norte...
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