Copenhaga
O mote para a viagem a Copenhaga, umas férias de inverno, era visitar o primo Perseu e a amiga Sara e aproveitar para descansar, passear, relaxar e claro conhecer mais um país, mais uma cidade, mais uma cultura.
Esta viagem marcou a minha primeira incursão num país nórdico e devo dizer que fiquei muito bem impressionada, vive-se bem ali, as pessoas usufruem da cidade apesar do frio, os cafés estão cheios, claro que o nível de vida assim o permite, as pessoas circulam, há mercados de comida com aspecto delicioso e sempre qualquer coisinha para provar, lojas de flores em vazinhos pequenos, narcisos, iris, rosas, flores amarelas, azuis, violetas... As pessoas simpáticas e delicadas o suficiente mas sem serem invasivas ou soarem a falso, uma ordem que nos dá a ideia de liberdade organizada, claro que isto terá e tem certamente os seus "contras" mas para quem faz turismo, para quem vem de uma organização no caos sabe bem, é relaxante. O frio, é o que sempre se diz, passamos mais frio aqui em Portugal, nos nossas escritórios, casas, cafés, etc que ali apesar da neve, dos lagos gelados - lindíssimos lagos gelados com os seus reflexos, o gelo bonito e nostálgico ao mesmo tempo; os lagos gelados cobertos de neve ganham outra vida como se de outros lagos se tratasse; os lagos cobertos de gaivotas, cisnes e outros pássaros; os lagos mesmo ali no centro da cidade, imponentes, marcantes e ao mesmo tempo tímidos, reservados, imutáveis como alguém que observa uma festa por dentro sem nela se envolver ou participar - e do vento. Apesar de tudo isto senti em mais de um momento, ao observar o gelo ou a neve em cima das árvores ou apenas o canal e as suas casas, ao sentir o vento, a nostalgia dos contos do H. C. Andersen, percebi aquela sua tristeza, uma tristeza profunda que chega de mansinho e se instala deixando névoa no pensamento e angústia...
Não abordei, abordámos esta viagem como uma necessidade de visitar tudo e mais alguma coisa, a prespectiva foi mais a de quem quer sentir a cidade, passear nas ruas e viver a cidade como se já lhe pertencesse, claro que o facto de irmos visitar amigos deu à viagem esta sensação, tornou a viagem mais tranquila e eventualmente mais proveitosa porque muitas vezes aquela azáfama de conhecer ou fotografar tudo desvia a atenção das pessoas, da cultura, do ambiente.
Assim, passeámos de bicicleta de um lado para o outro e como é bom andar de bicicleta (apesar de ser naba), passeámos no centro da cidade, adoptámos um café como nosso, passeámos junto ao canal com passagem no Black Diamond, lindíssima biblioteca, o palácio da Rainha e a pequena Sereia (bonita e singela), mais um belo jantar num tailandês, belos quadros do Degas entre outros na Glyptoteket, bombocas da Xoco, fondue de queijo, massinha com tomate, risotto de cogumelos com bife de atúm, e um almoço num banco de jardim em frente ao Noma. Quem ler este blog saberá que tivemos em tempo uma reserva no Noma mas falhámos, assim a visita ao Noma, pelo menos à porta, era essencial, levámos o risotto e comemo-lo ali como comemoração, foi o nosso almoço no Noma! E já me esquecia da experiência de vermos a fabricação de rebuçados à moda antiga numa loja ali no centro, ainda nos ofereceram uns quantos quentinhos.
Não sei bem o que dizer, foi tranquilo, divertido, fiquei com vontade que fosse mais perto para poder visitá-los mais vezes, momentos houve em que parecia que estávamos aqui em Lisboa, estar com família e amigos é isso mesmo, sentir-se em casa.
A torre de observação astronómica.
Era esta a vista do banco onde almoçámos junto ao Noma!













Este teu relato de viagem é precioso :-) se mudares de visual aqui ainda leio melhor ! Grazie
ResponderExcluir